quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Relaxa, Jaque


                Se eu tivesse que escolher uma frase, para as útimas semanas da minha vida, taí. Coloquei como título e poderia colocar como meta. E eu acabei colocando como meta. E também como objetivo, interesse, obrigação. Colocaria no curriculum, mas me disseram que é preciso no mínimo 3 meses de experiência, de prática ininterrupta, para enfim poder ser intitulado: relaxado.
                Poderia estar matando, roubando, fazendo postagens partidárias, mas tô aí, relax. E como é difícil essa porra toda. Acordar, coçar os dedos pra mandar aquele “oi” cheio de chamego, mas se render ao singelo: bom dia! (Da pra ser amável sem cansar o outro.) Entrar no ônibus, milhares (sim, se o ônibus tá cheio eu posso dizer que são milhares) de pessoas imersas em seus fones, livros e sono, e, ainda assim, deixar que o Jorge Ben Jor salve o dia. "Pensando nela
Todo dia, toda hora, Passando pela minha janela ." Sigo com a playlist e com a vida: Relax.
                A ordem é ocupar a mente – lendo, trabalhando, correndo, tanto faz. É crucial e fundamental desligar-se. Deveriam fazer uma pesquisa e dar logo os números concretos, para que pudéssemos nos espantar do quanto o ócio atrapalha a convivência. Milhares de mensagens enviadas. Centenas de conversas que poderiam ser canceladas. D.R.’s poderiam ser salvas e canceladas por simples ocupações. Mas se você não sabe o que fazer, converse com sua mãe, ela lhe dirá o quanto uma lavada na louça é terapêutico.
                Só que a gente quer conversar. Queremos dar logo um rumo, um sentido; pra vida e pros dias. E nessa a gente não relaxa e nem se deixa relaxar. Sempre ligados, em tomadas e pensamentos. Sempre esperando, o momento e a oportunidade. Se desligar além de ser uma utopia, começa a ser impensável, injustificável. O mundo te cobra atenção, seu chefe, seu namorado (assumido ou não), todos alí, com letreiros luminosos sob as cabeças pra te lembrar dos prazos, das obrigações, dos compromissos. E eu só quero/preciso relaxar.
                Sem ter que sair do emprego, abandonar estudos e relações (consideramos justa toda forma de amor, tal qual o Lulu). Dar um tempo dessa correria interna, essa cobrança por respostas, essa espera por resultados. Como se o que se tem nunca fosse suficiente. Como se o que há de vir possa ser melhor do que já está aqui. Não mais!
                Precisei de muita crise com amigos para que os puxões de orelha me indicassem um caminho. Cheguei com orelhas feridas, mas tô aí, em prática constante e já dependente dessas horas sem grandes expectativas. Pedro Bial falou do filtro solar porque ficou escrevendo essa música extensa ao invés de descansar. Foi válido, claro. A indústria faturou, ganhamos um novo hit e passamos a valorizar outras coisas além da estética. Mas no poder e necessidade de relaxar, esse sim, acredite!


JGA

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